domingo, 19 de setembro de 2010

No meu vento interior

Esse que eu vejo no espelho,
é o que eu sou
ou o que almejo?

Eu sou o que vê o espelho?
Ou o que o espelho vê?

Ou o que me aconselho?
Porque às vezes entendo
que eu sou o que eu quero
e outras, eu quero mesmo
é ser de outro jeito.
Quem sou eu no meu desejo?
O outro, ou eu mesmo?

Porque às vezes pareço leão,
e outras, gatinho...
Às vezes sou mar,
e outras, rio.
E às vezes choro escondido
todas as águas do mundo.
Quem sou eu
nesse mundo imenso?
O que penso é o que eu sou?
Ou é tudo um só momento
que o vento já levou?

Porque às vezes sou sereno,
e até bom, e até "certinho",
e às vezes sou travesso,
um mau menino.

Tantas vezes não me compreendo,
e outras, parece que invento...

Eu, movimento,
por tudo, de fora e de dentro,
me desoculto, e vou sendo
o meu pensador.
Eu fico, eu passo, eu vento,
eu me descubro com o tempo,
naquilo que eu penso e eu sou.