A criança sonha
com a lua,
bola brilhante
com quem ri
e dança.
A lua,
insone,
ri do sonho
da criança,
flutua
e sonha
que corresponde.
guardei um verso verdadeiro da poesia de ser criança; não o lapidei inteiro: nele ainda dançam palavras de brinquedo que só em criança se sonha, que só se brinca a sério
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
Um menino, uma guitarra.
O mundo é um quarto do tempo.
O menino sonha no chão.
Os dedos roubando som
Do pensamento.
Um barco passando por dentro
Do riso nas cordas.
A vida ganhando notas
E o rio correndo.
O barco, o quarto, o incerto
Mais vasto conceito
Do que é a canção,
Navegam sem preconceito,
No silencioso direito
Dessa revolução.
O menino sonha no chão.
Os dedos roubando som
Do pensamento.
Um barco passando por dentro
Do riso nas cordas.
A vida ganhando notas
E o rio correndo.
O barco, o quarto, o incerto
Mais vasto conceito
Do que é a canção,
Navegam sem preconceito,
No silencioso direito
Dessa revolução.
domingo, 19 de setembro de 2010
No meu vento interior
Esse que eu vejo no espelho,
é o que eu sou
ou o que almejo?
Eu sou o que vê o espelho?
Ou o que o espelho vê?
Ou o que me aconselho?
Porque às vezes entendo
que eu sou o que eu quero
e outras, eu quero mesmo
é ser de outro jeito.
Quem sou eu no meu desejo?
O outro, ou eu mesmo?
Porque às vezes pareço leão,
e outras, gatinho...
Às vezes sou mar,
e outras, rio.
E às vezes choro escondido
todas as águas do mundo.
Quem sou eu
nesse mundo imenso?
O que penso é o que eu sou?
Ou é tudo um só momento
que o vento já levou?
Porque às vezes sou sereno,
e até bom, e até "certinho",
e às vezes sou travesso,
um mau menino.
Tantas vezes não me compreendo,
e outras, parece que invento...
Eu, movimento,
por tudo, de fora e de dentro,
me desoculto, e vou sendo
o meu pensador.
Eu fico, eu passo, eu vento,
eu me descubro com o tempo,
naquilo que eu penso e eu sou.
é o que eu sou
ou o que almejo?
Eu sou o que vê o espelho?
Ou o que o espelho vê?
Ou o que me aconselho?
Porque às vezes entendo
que eu sou o que eu quero
e outras, eu quero mesmo
é ser de outro jeito.
Quem sou eu no meu desejo?
O outro, ou eu mesmo?
Porque às vezes pareço leão,
e outras, gatinho...
Às vezes sou mar,
e outras, rio.
E às vezes choro escondido
todas as águas do mundo.
Quem sou eu
nesse mundo imenso?
O que penso é o que eu sou?
Ou é tudo um só momento
que o vento já levou?
Porque às vezes sou sereno,
e até bom, e até "certinho",
e às vezes sou travesso,
um mau menino.
Tantas vezes não me compreendo,
e outras, parece que invento...
Eu, movimento,
por tudo, de fora e de dentro,
me desoculto, e vou sendo
o meu pensador.
Eu fico, eu passo, eu vento,
eu me descubro com o tempo,
naquilo que eu penso e eu sou.
domingo, 22 de agosto de 2010
Quando não chove
Quando reina o Sol,
Tão só, tão soberano
Sobre a terra,
A vida parece tão seca.
Parece até que ele seca
As flores e as borboletas.
Em toda a sua majestosa
Cor dourada,
Estende, o sol, as suas asas,
Como quem clama à Vida
Pela águas e cores da amiga.
E o olhar quente do sol
Já não brilha, fagulha:
Em solidão mais secreta,
O sol chora, a seco,
A saudade da Chuva.
Tão só, tão soberano
Sobre a terra,
A vida parece tão seca.
Parece até que ele seca
As flores e as borboletas.
Em toda a sua majestosa
Cor dourada,
Estende, o sol, as suas asas,
Como quem clama à Vida
Pela águas e cores da amiga.
E o olhar quente do sol
Já não brilha, fagulha:
Em solidão mais secreta,
O sol chora, a seco,
A saudade da Chuva.
domingo, 15 de agosto de 2010
Frio
O frio que corta a cidade
e a pele arrepia,
daria neve, daria
mais do vento,
mais dessa poesia.
O frio não sabe
a força da brisa,
que às vezes é branda
e soa bonita.
Fosse um frio que pensa
que nem todo canto em que entra
tem gorro, sopa e morada...
E sem pensar ele venta!
E não fosse essa dor gelada
que a canção não esquenta,
frio, que doce orquestra
nesse aconchego que inventa!
e a pele arrepia,
daria neve, daria
mais do vento,
mais dessa poesia.
O frio não sabe
a força da brisa,
que às vezes é branda
e soa bonita.
Fosse um frio que pensa
que nem todo canto em que entra
tem gorro, sopa e morada...
E sem pensar ele venta!
E não fosse essa dor gelada
que a canção não esquenta,
frio, que doce orquestra
nesse aconchego que inventa!
domingo, 27 de junho de 2010
Bicho
Que é esse bicho
que ri e chuta o outro?
Reza e
tortura o touro?
Que joga o lixo
do seu lixo todo
onde há bicho,
onde há outro?
E pensa que fica limpo.
E pensa que é normal.
Esse bicho que anda solto
prende ave, assombra o sol.
Que é esse bicho
que não se conhece?
Não se reconhece
no seu igual...
que ri e chuta o outro?
Reza e
tortura o touro?
Que joga o lixo
do seu lixo todo
onde há bicho,
onde há outro?
E pensa que fica limpo.
E pensa que é normal.
Esse bicho que anda solto
prende ave, assombra o sol.
Que é esse bicho
que não se conhece?
Não se reconhece
no seu igual...
O arco-íris
É aparecer o arco-íris e eu volto a ser criança: deixo refletir na íris todo o encantamento da infância. Onde começa? Onde termina? “Isso não importa...!” Ahhh, sim, importa, sim! Isso é o mundo atrás da porta, o mistério que cultivo em mim. Aonde ele chega deve ter mar, pois se tiver e se mistura às águas, olha o colorido que dá toda a beleza que deságua! Quantas cores ele anuncia? Sete? Eu já nem sei. Já vão além da retina... Já vão além do prazer! Como roda de crianças... juntinhas... reinventando o viver!
nas nuvens
Um dia desses, agito e acho um dia bem bonito! Pra um sonho de brilho raro, um dia de céu bem claro: um dia de andar nas nuvens. Se quiseres, claro, vens! Se vieres, mais quero ir a um céu de sonho dourado, macio, suave, encantado, num dia de brilho raro, no vem lá que eu sempre quis! Se vieres, já te digo que sonhos sempre me vem... Mas há quem diga que eu vivo com o pensamento nas nuvens, e sonhos não fazem bem. Se eu vou sozinha, até fico; se fores, volto contigo e a gente pensa num bis. Um dia desses, consigo! E eu vou te levar comigo no vem já de ser feliz!
domingo, 14 de março de 2010
Rouxinol
Canta em mim um passarinho
que nasceu e fez seu ninho
sem pedir consentimento.
Pia alto, em euforia!
Ou bem baixo, e silencia
quando eu vivo um sofrimento.
Mas não me deixa
o meu passarinho!
Canta um grito, canta um pio
e me amanhece sol.
O meu sol de passarinho
abre, livre, os meus caminhos.
É livre o meu rouxinol.
que nasceu e fez seu ninho
sem pedir consentimento.
Pia alto, em euforia!
Ou bem baixo, e silencia
quando eu vivo um sofrimento.
Mas não me deixa
o meu passarinho!
Canta um grito, canta um pio
e me amanhece sol.
O meu sol de passarinho
abre, livre, os meus caminhos.
É livre o meu rouxinol.
sábado, 6 de março de 2010
A chuva
O que chove?
É chuva de vida
ou de pensamento?
Se chove tanto,
chovesse mais...
Mais que chuva,
mais que vento:
chovesse Céu.
Chovesse o Céu, eu voaria?
Ventaria feito papel?
Se eu voasse, nadaria?
Ou eu, pipa levada ao léu,
da chuva me encharcaria,
à mesma força que me nasceu?
Que chuva chove?
Se é de vida,
chovesse o Céu!
É chuva de vida
ou de pensamento?
Se chove tanto,
chovesse mais...
Mais que chuva,
mais que vento:
chovesse Céu.
Chovesse o Céu, eu voaria?
Ventaria feito papel?
Se eu voasse, nadaria?
Ou eu, pipa levada ao léu,
da chuva me encharcaria,
à mesma força que me nasceu?
Que chuva chove?
Se é de vida,
chovesse o Céu!
domingo, 28 de fevereiro de 2010
Pirilampo
O lume que eu vejo na noite,
Queria acolhê-lo nas mãos
Em conchas, fechadas... Que sorte
Vagasse mais perto do chão.
Ah Vaga-lume, Pirilampo!
Bichinho que parece estrela!
Tão livre, no escuro, brincando,
Só mesmo porque tem lanterna.
Besourinho. Parece vindo
De um outro planeta, encantado.
Brinca de esconde, distraindo-me
No seu pisca-pisca esverdeado.
Queria acolhê-lo nas mãos
Em conchas, fechadas... Que sorte
Vagasse mais perto do chão.
Ah Vaga-lume, Pirilampo!
Bichinho que parece estrela!
Tão livre, no escuro, brincando,
Só mesmo porque tem lanterna.
Besourinho. Parece vindo
De um outro planeta, encantado.
Brinca de esconde, distraindo-me
No seu pisca-pisca esverdeado.
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
Cançãozinha
Pegue na minha mão
E me faça girar,
Tal se eu fosse pião.
Quero ver o céu redondo,
Quero o impulso do sonho,
Tal se eu me fosse do chão,
Como se eu fosse voar.
Mas gire-me até que o seu olho
Confunda-me em torno do ar,
Me perca na sombra do vento,
Do vento que vento em seu rosto,
Num giro sem tempo e sem par.
E me faça girar,
Tal se eu fosse pião.
Quero ver o céu redondo,
Quero o impulso do sonho,
Tal se eu me fosse do chão,
Como se eu fosse voar.
Mas gire-me até que o seu olho
Confunda-me em torno do ar,
Me perca na sombra do vento,
Do vento que vento em seu rosto,
Num giro sem tempo e sem par.
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